Atendimento humanizado em saúde: 5 razões para investir

Atendimento humanizado em saúde: 5 razões para investir

Há quem diga que a expressão atendimento humanizado em saúde não sai de moda. Só nos últimos anos, o tema tem sido destaque em revistas do ramo, pauta nos jornais e até inspirou iniciativas ao redor do país, como a criação do Departamento de Humanização da Secretaria do Estado de Saúde do Acre. A nível nacional, no entanto, já faz mais de dez anos desde que o SUS lançou a chamada Política Nacional de Humanização.

Mas, afinal, por que ainda precisamos destacar a importância dos trabalhos humanizados?

Num primeiro momento, isso pode parecer óbvio, uma vez que, mesmo após 30 anos desde sua implementação, o Sistema de Saúde brasileiro ainda acumula problemas relacionados  à sua estrutura e assistência. Profissionais mal qualificados e filas enormes complementam um cenário de dar horror – e que pede por mudanças.

É por isso que, principalmente hoje, as instituições nacionais requerem processos envoltos por humanização: para desenvolver uma relação de maior qualidade com os pacientes.

Para isso, vale apostar na tecnologia como reparadora de ruídos, caprichar no ambiente em que os indivíduos aguardam por uma consulta ou implantar treinamentos para que enfermeiros saibam como lidar com quem está sendo atendido.  Mas o ideal mesmo é que tudo seja praticado simultaneamente.

Se nós ainda não te convencemos a empregar procedimentos de atendimento humanizado em saúde na sua instituição, ao longo desse post trataremos mais do assunto. Aproveitaremos para destacar, em detalhes, os 5 motivos pelos quais ele é essencial para aprimorar sua organização de saúde. Confira!

Atendimento humanizado em saúde: o que é?

Para começo de conversa, nada mais justo que se embaralhar quando falamos de humanização. Isso porque, se você parar para pensar, não é uma palavra que diz muita coisa além do “tornar algo humano”, ainda que esse seja seu conceito norteador.

De forma geral, essa ideia diz respeito a práticas e recursos voltados para a ampliação do relacionamento entre profissionais e cidadãos. Entender o sofrimento de quem está sendo atendido, bem como contar com suas opiniões, é um dos pontos-chave de um trabalho que leva em conta a totalidade do indivíduo para além da enfermidade.

É fundamental se lembrar de que a humanização no atendimento dentro de clínicas e hospitais nem sempre depende apenas dos profissionais. Detalhes como a infraestrutura do ambiente podem pesar quando se fala no tema. Por vezes, são eles que prejudicam não só a experiência do paciente, mas a dos próprios funcionários.

Foi levando em conta um cenário que raramente pensa em aspectos como os citados que, em 2003, foi criado o HumanizaSUS, também conhecido como Política Nacional de Humanização.

Suas orientações vão do estreitamento do contato médico/paciente ao desenvolvimento de tecnologias mais horizontais, passando por uma gestão que sempre leve em conta os demais. Entenda melhor abaixo.

O HumanizaSUS

Como já explicado antes, há bastante tempo desde que o Ministério da Saúde resolveu se enveredar pela humanização dos procedimentos e lançou a Política Nacional de Humanização. No total, são 16 anos desde sua implementação em território nacional.

O objetivo? Efetivar os princípios do SUS no cotidiano das práticas de atenção e gestão, além de qualificar a saúde pública brasileira.

Para isso, a PNH reforça a importância das trocas solidárias no cotidiano dos gestores hospitalares, trabalhadores e usuários. Os princípios norteadores do projeto, nesse sentido, são a:

  • Inseparabilidade entre a atenção e a gestão dos processos de produção de saúde;
  • Transversalidade como motor para mudanças;
  • Autonomia e protagonismo dos sujeitos envolvidos no setor.

Bem como os princípios, seus propósitos são claros e reforçam a importância do cuidado e assistência em saúde:

  • Fortalecer as iniciativas de humanização já existentes;
  • Contagiar trabalhadores, gestores e pacientes;
  • Desenvolver tecnologias relacionadas ao compartilhamento das práticas de gestão e atenção;
  • Aprimorar, ofertar e divulgar estratégias e metodologias de apoio a mudanças sustentáveis dos modelos de atenção e de gestão;
  • Implementar processos de acompanhamento e avaliação com base nos saberes do SUS e experiências bem-sucedidas.

As diretrizes orientadoras do trabalho da PNH também seguem essa linha e são definidas conforme se segue: 1) acolhimento; 2) gestão participativa e co-gestão; 3)ambiência; 4) ampliação e compartilhamento da clínica; 5) valorização dos trabalhadores e 6) defesa dos direitos dos usuários.

Viu só como tudo gira em torno da produção de mudanças com base nos indivíduos? Que tal reorientar o trabalho na sua instituição para algo mais humanizado? Motivo é o que não falta!

5 razões para humanizar o atendimento em saúde

Agora que você já conheceu o termo e entendeu um pouco mais sobre o HumanizaSUS, trazemos cinco motivos pelos quais sua instituição deve investir de vez no bem-estar do paciente e deixar as formas tradicionais de atendimento para trás. Leia mais!

O atendimento humanizado dá conforto

Antes de ser gestor de saúde ou qualquer profissional do campo, você é um cidadão. Por isso, quando passa mal, também se vê frente a frente com uma instituição de saúde. Dessa forma, por experimentar os dois lados do local de trabalho, sabe mais do que ninguém o quanto a infraestrutura de tais ambientes tem prejudicado as relações dentro deles.

Ainda mais quando instituições de saúde são o grande temor da maioria dos indivíduos, assentos desconfortáveis, salas de espera mal higienizadas e atendentes grosseiros só tendem a fomentar a sensação de desconforto ao fazer um exame ou consulta.

Vale lembrar que a porta de entrada de um atendimento humanizado em saúde se inicia muitas vezes na recepção. Estar atento à qualidade dos serviços prestados na instituição é fundamental para sua melhoria.

Seu paciente com certeza se sentirá mais confortável em um ambiente com lugares suficientes, banheiros limpos, Wi-fi liberado e atendentes dispostos a tirar dúvidas.

Como resultado, o bem-estar dele refletirá em um procedimento médico mais facilitado.

Mais chances do paciente voltar

Ao dar conforto e possibilitar um atendimento mais satisfatório para o usuário, práticas humanizadoras certamente farão com que pacientes antigos optem por sua instituição na próxima consulta.

Como resultado, você terá alguns indicadores de desempenho hospitalar melhorando de forma significativa, concorda? Basta pensar no quanto o índice de satisfação do paciente será influenciado com uma gestão de qualidade. Para tirar a dúvida, reforce a humanização como um pilar-chave do trabalho dos colaboradores e depois aplique a metodologia Net Promoter Score (NPS) para medir a experiência dos entrevistados.

Inclusive, a opinião do paciente que for coletada em pesquisa de NPS será essencial para ter dicas de melhorias em sua instituição e para oferecer mais satisfação ao atendido.

A humanização hospitalar é boa para os seus funcionários

Há quem pense que falar de atendimento humanizado em saúde é considerar apenas a relação com o paciente. Ao assumir uma postura do tipo, organizações de saúde devem ter em mente uma mudança não só na forma como encaram quem está prestes a se consultar, mas o conjunto de colaboradores que a constituem.

Como prova de que iniciativas para os funcionários são tão importantes quanto às para os pacientes, a Secretaria de Saúde do Governo do Estado de São Paulo elegeu as experiências citadas abaixo como ações destaque:

  • Café com Diretor – Atividade de integração de colaboradores de diferentes níveis hierárquicos, criando um canal de comunicação direta entre estes e a Diretoria Executiva;
  • Formação e Capacitação – Disseminação do conceito, diretrizes institucionais e ações de humanização nos treinamentos institucionais dos profissionais;
  • Integração ao Serviço de Comunicação – Visa facilitar o fluxo de informações entre as áreas, gestores e profissionais, seja desses agentes entre si ou deles entre os usuários;
  • Grupo Interprofissional de Discussão de Casos Clínicos nas Unidades de Internação – Grupo formado por equipe multiprofissional dos diversos serviços para discutir casos clínicos com o objetivo de colaborar para o desenvolvimento da uniformização das tarefas e implementação da Humanização.

Dá pra se inspirar no que tem sido feito por aí e desenvolver novas ações dentro da sua entidade de saúde. Abrir canais de comunicação e envolver os funcionários em exercícios de capacitação são boas pedidas!

Reforça a autonomia e consentimento dos sujeitos

Que história é essa de que a humanização e a autonomia dos sujeitos andam juntas? À princípio, a relação pode parecer meio confusa, mas isso é a mais pura verdade.

Ao estreitar o relacionamento entre os indivíduos, organizações de saúde cooperam para que eles ajam de forma horizontal e autônoma, o que pode refletir em ferramentas de autoatendimento, serviços tira-dúvidas via Internet/telefone e até mesmo na flexibilidade de visitas.

A preocupação com o consentimento, por sua vez, decorre de ocasiões nas quais os profissionais optam por não expor o indivíduo a diagnósticos, terapias e exames sem que ele esteja plenamente esclarecido.

Lembramos, aqui, que apoiar a manifestação do princípio da autonomia vai ao encontro de um dos pontos principais da Bioética, que prevê o esclarecimento e consentimento do atendido uma forma de valorizar sua vida.

A humanização gera resultados eficazes

Só quem atua no setor de saúde sabe o quanto é difícil lidar com pessoas diariamente. Em um único dia de trabalho, há apenas uma certeza: você sempre encontrará pessoas sofrendo com suas dores, preocupadas com os problemas e à procura de alguém para ajudá-las.

Por estar em uma posição vulnerável, é comum que o psicológico desse sujeito esteja abalado, o que prejudica até mesmo seu contato com um enfermeiro ou médico. E é aqui que entra o x da questão: ao adotar uma postura acolhedora, você não só ganha a confiança do usuário, mas se certifica de que ele tenderá a seguir à risca os pedidos médicos.

Como consequência, simples atos de sensibilidades pesarão – e muito! – no resultado de um tratamento… e todos saem ganhando.

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